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sábado, 7 de maio de 2016

Cronica: Puta

Puta

Todas as noites ela ia para o bar, pedia um copo duplo de caipirinha que bebericava como se fosse suco. Se sentava ao fundo e observava os outros clientes, óculos quadrados e vestido curto rodado, usava sandálias e o cabelo preso com um rabo de cavalo solto, e a mim parecia a mulher mais linda do mundo assim.
Chamavam-na de "puta", diziam que lugar de mulher não era no bar, a cantavam e alguns já ate mesmo a tentaram agarrar, ser o filho do dono do bar ao menos me rendia o respeito de não levar um murro ou dois, e ela sempre sorria e agradecia de forma doce.
Foram meses assim, ela nunca falava muito, sempre respostas rápidas e diretas, basicamente nada a não ser "o de sempre". Chegou um ponto, que sempre no horário de sua chegada, costumeiramente as oito da noite, eu tinha sua mesa limpa e desocupada, com um pequeno vaso e uma flor roubada da vizinha, junto ao seu copo, e claro, um rápido banho de perfume da minha parte.
Mas um dia, ela simplesmente não veio, e no próximo, e a semana inteira. Ate que meu pai começou a reclamar do desperdício de material e da vizinha que me acusava de "destruir seu lindo jardim", então, parei de arrumar a mesa.
Durante um tempo ela foi a conversa dos membros constantes do bar, alguns diziam que ela havia engravidado, outros que tinha sido morta, entre outras teorias, mas para mim ela apenas tinha se enjoado dos bêbados idiotas que não a respeitavam por apenas beber algo em um bar. Mas mesmo assim nunca perdi as esperanças de que voltaria a vê-la.
O tempo passou e quase um ano depois, quando chegue da escola meu pai me recebeu com um presente em mãos, eu estranhei o fato, já que não era nenhum dia especial, ele notando minha confusão explicou.
- Lembra da moça que vinha sempre aqui? A que você babava? Bom, ela deixou um presentinho.
Ele então piscou para mim e foi para outro lugar me deixando a sós com o embrulho. eu curioso rasguei todo o papel, e quase não acreditei em meus olhos. dentro do embrulho havia um livro, com o titulo " crônicas de um bar" e dentro deste a dedicatória " ao barman bonitinho, me ligue" e seu numero estava embaixo, e assim, descobri que a "puta" se chamava Ana. 
Comentários: Apesar de ser uma historia simples, fiz com a intenção de indiretamente falar do preconceito machista que assola nossa sociedade, tecnicamente o bar é um local onde as pessoas vão conversar, beber e beliscar coisas que o ministério da saúde não recomenda, e enquanto para com os homens é completamente comum muitos ainda julgam as garotas que vão lá, mas qual a diferença entre os bares "chiques" ou comuns? Qual a diferença entre baladas as quais as mulheres recebem desconto para incentivá-las a ir?
Muitos dizem que não teria problemas se elas estivessem acompanhadas, mas uma garota terá que ficar sentada em casa esperando alguém bater em sua porta para sair? Como é possível conhecer alguém em casa? E o caso das amigas é levado com o mesmo preconceito, mas o fato de ser mulher não nos torna insensíveis a socialização e a companhia direta ou indireta.
O fato é, assim como o mostrado na historia, as pessoas deviam julgar menos e conversar mais, pois no fim a verdade é simples, as pessoas só querem se divertir a sua própria maneira. fim. 

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